domingo, 17 de dezembro de 2017

642 Coisas Sobre As Quais Escrever: 86. Carta para um leitor




86. Escreva uma carta para um leitor de um romance ainda não escrito.

Algum Lugar, 17 dez. 2017
            Já passa das três da manhã, há quem diria que é loucura, mas para mim é medo, pelo facto desta hora ser conhecida como a hora do Demónio. É melhor apressar-me antes que sinta os meus pés a serem puxados.
            Pelas suas palavras consigo sentir o quão apaixonado ficou pela envolvência das história e dos personagens. É fascinante saber que ainda existem pessoas que ainda amam degustar as palavras.
            Não há palavras para exprimir o quão agradecida fico com as suas palavras, é apaixonante. Nunca temos uma consciência exata do impacto que tudo o que nós, escritores e artistas, causaremos ao criar.
            Nesta obra existem ideias já concebidas de há muito, muito, mas mesmo muito tempo. Este romance não é apenas um romance entre duas pessoas, é também um auto-romance.
            A ideia das protagonistas femininas serem tão sem-sal, sem consistência e dramáticas exageradamente ultrapassam a minha ideia. Já reparou os homens ficavam com os melhores papéis? Sarcasmo, com uma pitada de comédia, charmosos e inteligentes. Haja paciência.
            Para além disso, acho que este romance é para os iludidos de plantão, como eu. Quem diria que os cenários em que me imagino protagonista, o meu escape da realidade virariam um romance aclamado? Poderei considerar esta gente louca por ler as minhas palavras?
            Agradeço a sua paciência ao aguardar pela resposta, a paixão com que leu e por ter sofrido juntamente comigo quando leu e quando acabou.

            Com amor, 
                                   Claire Hampton

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Porque?



Porque hei de eu amar-te,
quando posso simplesmente detestar-te?
Tudo se torna mais divertido
É preferível desafiar alguém
do que lhe dar o simples prazer do fácil


sábado, 2 de dezembro de 2017

#ClaireIsSpeaking Crise Existencial?



Hoje é sabado, um dia que não faria, à partida, parte dos dias de postagem. Precisamos falar e não há outra coisa que eu saiba fazer além de falar aqui.
Este blog como começou como uma auto-ajuda para os meus "problemas" (na verdade, eu só tinha onze anos e nada do qual me queixar), mas agora estou perdida. Devemos chamar a isto crise existencial?

As crises existenciais são fases de profunda reflexão, marcadas principalmente pelo conflito pessoal e que podem surgir a qualquer momento da vida. Por outras palavras, a crise existencial é natural do ser humano e, quando bem vivida ou acompanhada, pode representar um momento de transformação para o indivíduo, como atingir o autoconhecimento, o amadurecimento moral e emocional, o crescimento pessoal, etc...Porém, caso os sintomas não sejam corretamente "trabalhados", a pessoa que enfrenta uma crise existencial pode sofrer muito, se afogando numa série de transtornos, fobias e depressões.De acordo com os psicólogos, existem cinco principais sintomas que caracterizam a maioria das crises existenciais: Ansiedade e cansaço mental; não ter vontade de estar com ninguém; pessimismo e desânimo; sente-se perdido no mundo e alterações do apetite– in 5 Sinais de que você está passando por uma Crise Existencial

Na verdade, eu não faço ideia.
Estou a fazer coisas das quais não me orgulho, de todo. Uma espécie de complexo  bem desenvolvido comigo. Não consigo tirar fotografias nem permito que me fotografem tão facilmente como antes, evito-me ao máximo, sempre com alguma desculpa "Não lavei o cabelo", "A minha pele está horrível, hoje". Vez ou outra sinto-me bonita, mas basta um espelho para desmoronar por dentro.
Olho-me e identifico todos os meus defeitos num ápice: uma pinta de nascença que desejo retirar, uma espinha, o cabelo comprido demais, castanho, demasiado volumoso e sem graça (DETESTO!) e o meu corpo, que é magro demais. Sim, eu sempre me achei magra demais, talvez tudo tenha começado na primária. Sofria com as palavras dos outros que me diziam "És tão magra, sê mais como a tua prima!", a verdade é que me acho magra demais até hoje e pesquiso cada vez mais formas e dicas para engordar, a arquitetar planos e maneiras de engordar e quando dou conta estou a comer porque tenho medo, porque estou cansada... é uma espécie de anorexia inversa? A vontade de chorar súbita relacionada a tudo isto, a me achar demasiado magra, a maneira do meu cabelo que destesto, choro pelos pensamentos tristes que tenho, das coisas que faço em função da tristeza, de como está escuro, de como a sorte não corre no meu rio...
Perdi o animo em fazer certa coisas que antes me davam prazer, se as começo rapidamente paro e deixou-as em stand-by, como acontece com o blogue, que um dia foi um local de desabafo para tudo isto e hoje em dia, é um blogue apenas. Tenho as minhas dúvidas em mantê-lo, sobre o que falar neste espaço, sobre o nome dele que há algum tempo que não me agrada, dado que na altura da sua criação, eu achava-me a esquisitona, diferentona... uma ajudinha? Não? Talvez mude o seu nome para Claire Hampton e a url. Não posso prometer se voltarei

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

#ClaireIsSpeaking A mentira que agrada


Leia as minhas obras de originais aqui ou aqui

     Desculpe em informar, mas é verdade o que acabou de ler. Chega dessa conversa corriqueira de que todos queremos ouvir “as verdades” que elas doem, mas fazem bem, que são melhores que viver na mentira. Não… A verdade dói, é verdade, mas não significa que todos queiramos enfrentá-la, nem todos temos coragem para isso.
        Mentimos para nós mesmos, maioritariamente e principalmente, quando respondemos “Vou bem.” à pergunta educada daquele professor que encontramos num corredor e acabamos por a entranhar e degustá-la. Vivemos essa mentira e quando a queremos desfazer, pensamos “O quê? Não! Então, eu disse que me sentia bem há três horas.”
      Mentimos para satisfação dos outros. Mentimos porque não os queremos desiludir, magoar ou chatear com isso, e, geralmente, mentimos sobre coisas pequenas, já repararam? “Fica-me bem este vestido?” e acenamos um sim com a cabeça acompanhado do sorriso mais falso e feio que temos na gaveta. Porque temos a decência de mentir nessas coisas? Será porque sabemos que se trata de gostos, de coisas que os outros não descobrirão tão facilmente? Mas se for de coisas importantes ou com grande gravidade, obrigamo-nos a dizer a verdade, seja de que maneira.
         Mentimos porque vivemos presos numa vida que detestamos, porque gostaríamos de escrever a nossa história usando-nos como personagens.
         Mentimos porque nos agrada essa mentira e adaptamo-la ou adaptamo-nos a ela, de modo a parecer o mais correta possível.
        No fim de tudo, podemos concluir que talvez seja a mentira a maneira mais rápida para fugirmos à nossa própria realidade, acabando por nos impor dispostos a novos problemas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ela é perfeita, mas não sabe


Nota: O texto disponibilizado não é da minha autoria, mas com adaptações feitas para o PT-PT. Poderá ler o texto original aqui

"Geralmente, chego em casa cansado. Atiro as minhas roupas pelo chão do quarto e sento-me no sofá com aquela cara de acabado. Ela chega, grita-me à atenção e fala como uma doida de como foi o seu dia. Eu fico entre um “hum” e outro. Entre uma risada e outra. Mas fico com os olhos e ouvidos bem atentos, como um menininho a ouvir uma história de uma heroína que salvou a cidade e ainda se lembrou de passar no mercado para comprar o meu iogurte predileto.
Ela faz-me massagens quando peço. Mas só aceita fazer caso eu prometa fazer nela também. Ela trabalha, estuda, inova no seu visual, treina, prepara a comida e ainda arranja tempo para me amar e me pedir para levá-la ao cinema. Às vezes, eu penso como é louco o amor. No começo, eu passava noites em claro só para descobrir a melhor forma de conseguir ter um encontro com ela. E, hoje, ela é quem me convida. No primeiro encontro, eu passei quase duas horas inteiras a arranjar-me. Coloquei a minha melhor roupa e encharquei-me com o meu melhor perfume só para agradá-la. Hoje, ela acha-me lindo de sweatshirt ou suado após o futebol.
Ela espera-me. Ela fica ansiosa para me ver e liga-me só para dizer que está com saudades. Ela diz que ama e que morre de tesão por mim. Ela faz-me carinhos e arranhões que nunca tive e beija-me o corpo inteiro. Quando briga comigo por ciúmes é por medo de me perder.
Ela é perfeita, mas não sabe.
O meu lado possessivo até acha isso bom porque no dia que ela perceber que ela é dez mil vezes melhor do que qualquer mulher neste mundo, vai querer outro tipo dez mil vezes melhor do que eu.
E há vários tipos perfeitos por aí.
Mas não sei como, ela se encantou pela minha barba mal feita, pelas minhas piadas sem graça e pelos meus olhos cansados.
Bendita a sorte a minha.
Até hoje, não sei o que falei para ter roubado a atenção dela. E, se um dia descobrir, falarei o dia inteiro. Trato-a como uma rainha tendo a certeza de que não sou merecedor de um lugar no teu altar. Mas esforço-me tanto que ela acha graça até das minhas imperfeições.

Já paraste para pensar na sorte que tens em ser o sonho da mulher dos teus sonhos?"

Leia as minhas obras de originais aqui ou aqui.
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