A Better Man



Podes ler a fanfic, no geral, com If Were a Boy ou com a música indicada em cada capítulo <3 Deixa fluir…

Breve Sinopse:
Como é te apaixonares pelo teu melhor amigo? É assim tão especial? E casar?!

Já te perguntaste se o teu melhor amigo poderá ser o teu marido, ou esposa?! O que acontece depois de três, cinco, sete meses? Ou dois anos? O amor permanece igual?

Personagens:
Kimberly Magossi Lively, Kim ou Lively para os amigos, tem vinte e três anos e vive no Arizona, embora seja natural de Nova Iorque. É hacker, embora o seu sonho seja trabalhar como escritora numa revista. É uma garota lutadora, sorridente, calma e amável. É a melhor amiga de Adam desde os seus doze anos. Adora Adam, mesmo tendo o humor de um idoso. Na maioria das vezes age com o coração e guarda demasiadas vezes o que sente.

Adam Owen Stalteri, Adam ou Stalteri para os amigos, tem vinte e quatro anos e vive no Arizona, embora tenha nascido em Nevada e crescido em Nova Iorque. Cursou Criminologia durante quatro anos no Arizona State University. Conheceu Kimberly com treze anos, tendo-se separado dela aos dezoito anos. Embora seja um idiota, praticamente o tempo todo, consegue ser a melhor pessoa para quem ama.

Luke Stone ou simplesmente Luke, tem trinta e um anos e cresceu e vive no Arizona. Trabalha na polícia de Arizona, sendo colega de Adam. Luke é agressivo e rude, tendo inveja do trabalho de Adam e da sua melhor amiga. Stone é pior do que aparenta ser.

Kennedy Somerhalder ou Kennedy, tem vinte e quatro anos e vive no Arizona desde que nasceu. É colega e melhor amigo de Adam, ficará amigo próximo de Kimberly. Kennedy é o amigo para todas as ocasiões.

Lyane Piovani, tem vinte e oito anos e vive no Arizona. É a melhor amiga de Kimberly, a qual sempre a ajudou, inclusive a que a ajudou a se livrar das drogas e da prostituição, sendo hoje uma renomeada empresária. A personagem é mais referida na terceira pessoa, contactando na maioria das vezes pelo telefone com Kimberly. Lyane é o caso em que tu precisas conhecê-la para saber quem ela é de verdade.


Outros personagens poucos frequentes, podendo até nem aparecer serão a equipa de Adam, os familiares e outros amigos dos protagonistas.


First Chapter
Oh! She’s My Best Friend!
Publicado em: 25/04/2016

My best friend
The one that I love until the end
You are my best friend
The realest in the world we don't have to pretend
You're my best friend
The one that I love until the end
You are my best friend
You and me against the world and we don't have to pretend
‒ Richie Campbell in Best Friend

Em tanto tempo de história e no tanto tempo em que já lá morava, Arizona não tinha mudado nada num espaço de dois anos. Dois anos inteiramente dedicados à Polícia de Arizona, sem tirar nem por.
Adam Stalteri era, diga-se de passagem, a má-disposição em pessoa, vinte e quatro anos com disposição de setenta. Após quatro anos de estudos sobre Criminologia na Arizona State University e uma vaga de sorte na Polícia de Arizona fizeram uma terrível diferença.
Aqueles quatro anos foram divididos em duas fases: a fase boa e excelente, do primeiro à metade do segundo ano, e a fase terrível e horrível, da metade do segundo ano até ao seu quarto ano. O incrível dos primeiros anos foi destroçado pela impaciência e talvez a coincidência de a universidade, tal como todo o percurso escolar, se assemelhar aos Hunger Games.
Se havia alguma coisa de bom? Claro que havia uma imensidade de coisas boas, apenas era preciso que Adam se desse conta.
Todas as manhãs era a mesma coisa. Acordar cedo, qualquer pessoa acharia falta de juízo se ele se pronunciasse sobre isso, sair da cama a arrastar os pés, o que provocava um tremendo som de espírito sem alma, porém ele estava pouco se fudendo para isso, ele não vivia com ninguém! As suas contas eram divididas entre ele e ele mesmo.
Na Polícia de Arizona, trabalhava como polícia forense desde a sua saída da Universidade, como já tinha sido referido. A sua família tinha uma forte ligação com a polícia de Arizona há bastante tempo, sem referir décadas. O que começou com um estágio prolongou-se para um trabalho.
Adam é excelente naquilo que exerce, pertencendo a uma excelente equipa com pessoas variadíssimas. Mesmo sendo assim, ele possuía amigos, eram como uma família. Se alguém desconhecido se sentasse com eles ao almoço, ficaria sem perceber o que se decorria. No ar familiar decorriam alcunhas esquisitas, falavam sobre momentos embaraçosos, coisas de família, propriamente ditas.
− Finalmente, a donzela chegou! – Kennedy atirou os braços ao ar como se agradecesse a Deus pela chegada do amigo. O rapaz segurava uma pasta com algumas folhas que esvoaçaram no ar, pôde sentir o olhar de Adam a queimá-lo no peito. A pasta era sobre um processo recente onde Adam tinha trabalhado arduamente organizando tudo por tim-tim. – Calma! Eu apanho! – Kennedy dobrou-se sobre o chão castanho-escuro.
− É o teu remédio. – Olhou para o pequeno copo de café quente e pode ver que não havia mais nada nele. Tinha a sua mão esquerda no seu bolso esquerdo, enquanto o seu braço direito segurava uma outra pasta debaixo e na mão o copo que agora era amassado.
− Ainda bem que aqui estão! Preciso que alguém interrogue a garota na sala duzentos e cinco! – Lucille O’Hara, a chefe do departamento bateu com uma das quinhentas pastas bege que eles viam por dia. Lucille, apesar dos seus preciosos quarenta e oito anos, bateu fortemente com os seus saltos de catorze centímetros.
− Que bicho lhe mordeu?! – Kennedy olhou para trás sem intender o porquê de bater a pasta fortemente na mesa onde se apoiava.
− Qual deles?! – Adam riu e Kennedy acompanhou-o ao perceber ao que se referia.

Thursday, 08:00 a.m. Arizona Police, Arizona
Adam e Kennedy encontravam-se atrás do grande vidro. Kennedy falava algumas coisas sobre o que cada gesto da mulher que era interrogada por Luke Stone significava. Ele tinha que admitir, apesar das ideias idiotas e pouco convencionais, Kennedy tinha uma excelente capacidade para aqueles casos e para os processos que tinham em mãos.
Luke não era muito rígido com pessoas que hackeavam e não colocavam ninguém em risco. Ele era mais rígido com pessoas que hackeavam e colocavam outras em perigo ou sites de bancos ou de outras grandes identidades. Embora que isso não significasse que não fosse agressivo.
Adam teve um déjà vu, como se aquela garota lhe fosse familiar. Aquela garota usava algo como uma blusa vermelha xadrez. O seu cabelo era preto com franja lateral. O seu rosto, a peça mais familiar, parecia perfeitamente limpo para as oitp da manhã que agora se davam, embora houvesse um traço preto à volta dos seus olhos decorados com pestanas volumosas.
Adam bateu na sua testa, a pasta com as suas informações estava com Luke. Kennedy olhou-o um pouco assustado pelo seu gesto. Rapidamente se moveu do lado de Somerhalder e bateu no vidro chamando a atenção de Luke. A garota tinha batido com os punhos em cima da mesa e rapidamente estremeceu pelo barulho.
Ela ficou sozinha, Luke olhou-a de lado. Porque é que ele pareceu com raiva? Entrou na salinha onde Adam e Kennedy estavam, era uma sala muito pouco acolhedora, duas luzes que mais pareciam de presença, para não falar que uma estava a funcionar muito mal, paredes de azulejo branco e chão cinzento, Kennedy já tinha confessado que conseguia ouvir gritos de agonia pela comodidade transmitida pela sala.
− O que se passa desta vez?! – Luke falou com agressividade, a sua raiva permaneceu no seu olhar distante, o que é que aquela garota lhe tinha dito?
− Eu vou interrogá-la. – Adam foi curto e direto, respondendo no mesmo tom frio de Luke. O homem de cabelos castanhos olhou Adam passar por ele. Kennedy queria rir para caralho daquela situação, mas como Luke fervia em pouca água, não, achou que um murro no estômago em plena manhã, não, não seria uma ideia boa de todo.
Adam fechou a porta com alguma força e abriu, seguidamente, a outra porta da sala do interrogatório.
A garota continuou de cabeça baixa, Adam sentou-se pela metade na mesa, pegou na pasta e começou a ler na metade o seu processo. Pôde ouvir um bufo pesado e descontente.
− Então? Não sabias que dava cadeia tentar hackear perfis e sites de outras pessoas? – Riu fraco e tossiu, como se livrasse da piada. O seu processo era um pouco normal para uma hacker. – Sorte a tua que eu tenho uma ideia em mente que pode ser infalível. – Conseguiu ouvir um “O quê?” pronunciado. – Conseguiste colocar o senhor anterior a ferver, se fosse eu, bem, eu conseguiria, mas levaria um soco ou um murro no estômago.
− Okay! Isto é o quê? Alguma piada? Eu já disse! Havia aquele maldito blogueiro a tentar publicar coisas sobre a minha família. Coisas que poderiam levar à rutura mental do meu pai. Aquele filho da p… − fez uma pausa, o que causou um clima tenso – Aquele filho da mãe.
Stalteri pôde reconhecer, havia alguma coisa naquela voz que era familiar, familiar demais. Não respondeu e folheou stressadamente o processo, nunca via o nome da pessoa em caso. Passou os olhos nas primeiras linhas sobre a pessoa. Kimberly Magossi Lively.
Aquele nome foi uma injeção de pura realidade, estava a interrogar a sua melhor amiga de adolescência, aquela com que se dera sempre bem desde os seus treze anos. Aquela que o deteve de pintar o cabelo numa cor louca ou furar um mamilo, já que as suas ideias nunca foram boas.
− Kimberly? – Adam clareou a sua voz pesada. Girou o seu corpo tal como a garota levantou a cabeça. As suas expectativas confirmaram-se, era ela. A garota pela qual tinha segredos.
− Adam?! – Kimberly surpreendeu-se. Fazia tanto tempo desde a última vez que o vira, talvez há dois ou três anos e meio. Era bom ver o garoto que a fez sonhar.

Afinal, ele começava a ver o que Arizona tinha para lhe mostrar.



Second Chapter
How We Meet
Publicado em: 09/05/2016


From the way you smile
To the way you look
You capture me
Unlike no other
From the first hello
Yeah, that's all it took
And certainly
We had each other
‒ Nathan Sykes in Over And Over Again

− Há quanto tempo! Bom, não nos podemos abraçar, por isso é melhor continuarmos a falar calmamente. – Adam riu. – Sabes como é, trabalhar na polícia tem as suas proibições.
− Deve ter mesmo. Já faz um tempo, dois, três? – Kimberly deu um sorriso tímido e logo baixou a sua cabeça como fazia quando ambos tinham treze anos. Bons tempos… − Já agora, qual era a ideia de génio? Espera – levantou a sua mão – era apenas bluff para confessar algum podre, correto?
− O quê? – Adam fingiu sentir-se ofendido. – Nunca faria tal coisa!
− Claro que não! – Kimberly sempre fez e faz algo que irritava profundamente Adam. Sempre foi mais uma garota entre as milhares no Mundo que não se sentia boa o suficiente. Eram raras as vezes em que ela ria e não colocava a sua mão à frente. Adam simplesmente detestava quando tapava o seu sorriso, rapidamente a tirou da frente.
O seu sorriso desvaneceu. Ficou um clima tenso durante alguns segundos, um mar de recordações pareciam intrometer-se entre eles.
− Okay, quem sabe… − Adam quebrou o clima tenso que provavelmente Kennedy estaria a comentar com Luke, tudo para que este fosse embora a bufar. – Bom, acho que será de mau tom contar-te agora. É melhor confirmar e dizer alguma coisa depois. – A garota de cabelos pretos ficou imóvel enquanto Adam saiu da sala.
Após Adam sair, pôde sorrir ao reencontrar Kimberly, não podia imaginar que Arizona podia trazer uma das melhores coisas que lhe aconteceu e a melhor pessoa que conheceu nos seus vinte e quatri anos de vida.
Cruzando o corredor, bateu à porta do gabinete de Lucille O‘Hara. Lucille era o tipo de pessoa que conseguia passar encafurnada num cubículo, tudo isto depois do seu divórcio. Se é que lhe pudemos chamar assim. Lucille e o seu ex-marido vivem a verdadeira roda-viva, ora vem ora vai.
− Lucille – entrou após ouvir a voz baixa à qual todos estavam acostumados – será que posso falar contigo sobre a garota da sala do interrogatório?
− Claro, senta-te se quiseres. – Lucille parou de escrever e juntou as mãos em cima da mesa, analisando o vazio, podia-se adivinhar que pensava sobre o seu divórcio.

Thursday, 09:45 A.M. Arizona Police, Arizona
Após alguns minutos de conversa, Adam estava de regresso à sala pavorosa de interrogatório. Lucille parecia um monstro, só que não era de todo. Ele tinha conseguido o que queria, não ver Kimberly atrás das grades por um tempo que até ele mesmo desconhecia.
− Boas! – Adam sentou-se na sua frente segurando o seu processo – Tenho uma proposta para te fazer.
− Okay, isso soa assustadoramente assustador. – Kimberly riu com a sua própria frase que ao mesmo tempo que fazia nexo era incrivelmente patética – Tudo bem, vai em frente!
− Bom, tive uma pequena troca de palavras com a Diretora do Departamento De Criminalística que falou com a Diretora Do Departamento de Criminalística Cibernética e há uma vaga como Especialista Técnica. – Kimberly arqueou as sobrancelhas em sinal de não perceber o rumo da conversa. – Eu convenci-as para que tu nos pudesses ajudar no Departamento De Criminalística Cibernética.
− O quê? – Kimberly ficou surpresa – Este caso veio parar ao Departamento errado, não foi? – Kimberly rolou os olhos e esperou que Adam desse a confirmação. Este apenas ficou surpreso por ela o saber.
− Como é que sabes?! E sim, ultimamente tem dado uma merda aqui na polícia de Arizona. Casos e processos misturados e trocados, agentes e outros em falta...
− Obrigada, pela confirmação e – Kimberly travou Adam de fazer a célebre frase de novo. – eu pesquisei antes de começar a investigar e hackear o blogueiro sem vida social. – Brincou com o anel delicado que tinha dado quando completou dezasseis anos.

− Sempre organizaste a tua festa? A festa mais especial depois dos quinze anos de cada garota? – Adam nunca percebeu o porquê de Kimberly não gostar de aniversários, especialmente os dela, e sobretudo de não festejar os tão desejados quinze anos.
− Essa piada já perdeu a graça faz tempo, Stalteri, sabes? – Kimberly bebeu um pouco mais do seu café – Não vou fazer nenhuma festa, apenas iremos cantar “Parabéns a Você”, rir ou chorar um pouco e comer um bolo, sabes, fazer essas coisas chatas de aniversários. – Agitou o seu café em sinal de entendimento à pergunta.
− A sério, só isso? Além, “iremos”?
− Caralho, Stalteri! Há três anos que nos conhecemos, conhecemos os pais de ambos e ainda achas que precisas ser convidado?
− És adorável quando estás irritada. – Adam riu enquanto a garota olhou de soslaio e deu de seguida um sorrisinho minucioso. – Porém, eu vou-te dar uma pequena prenda por agora. A outra estará à tua espera na tua casa. – Kimberly arregalou os olhos pela curiosidade.
Adam tirou dos bolsos interiores do casaco uma pequena saca de papel rosa. Assim que colocou a sua mão dentro, sentiu esferovite/isopor e um embrulho pequeno. Era dele mesmo, colocar esferovite às toneladas e um presente pequeno.
Ela olhou em dúvida para Adam, pegou no embrulho e rasgou-o cuidadosamente como sempre o fazia. Era uma pequena caixa, já se denunciava, que continha um anel com uma pequena pedra, os primeiros anos da adoração por anéis com pequenas pedras.”

− Tens o anel que te dei. Engraçado! – Adam riu por já quase mal se lembrar, porém assim que o viru, a sua mente pareceu refrescar-se.
− Nunca o tirei. Faz-me sentir que não estou sozinha, nunca…
E não estás… − Adam respondeu à frase de Kimberly, mas rapidamente mudou de assunto – Bom, ainda não me respondeste. Aceitas o trabalho?
− Claro! Embora isso implique acordar às seis horas ou outra hora qualquer e sem acesso aos meus arquivos e dispositivos. – Riu – Será ótimo trabalhar contigo, Sr. Maldisposto. Sim, eu sei que és um stressadinho. − Adam franziu as sobrancelhas como de nada soubesse e Kimberly voltou a rir. − Parece que é só o começo…
Oh como ele se lembrava daquela frase. A mesma frase que ele quase pensou no dia em que a viu pela primeira vez e que ela lhe sorriu, mesmo tendo a certeza que fora para um dos seus amigos que estavam à sua volta.

“No verão do ano de dois mil e seis ocorriam leves boatos de que uma garota se tinha mudado recentemente para a cidade. Mas quantas pessoas não se mudam para NY?! Por ano?
Havia sempre uma festa uma semana depois do último dia de aulas, entre alunos e professores. Era um ambiente familiar ou azedo. Aqui não havia o típico Liceu Americano, os estereótipos só começam quando pensamos neles. Neste liceu havia os amigos, os mais conhecidos, nunca os populares, os estranhos mas incluídos nos seus grupos, não eram os Nerds eram apenas os com as melhore notas, os bullies, os otários, entre outras pessoas que vemos no quotidiano escolar.
Uma festa sempre no mesmo lugar com variados temas, comida e música. Por fora igual, por dentro tão diferente.
Naquele ano foi uma festa delicada com um tema mais ao estilo “Campo”, após alguns anos decidiram que o celeiro receberia algo do seu estilo, o que foi muito bem aceite pelos alunos nesse ano.
Adam não era o popular, o foda, o capitão de equipa, tudo bem que ele jogava quase todos os anos em alguma equipa para algum torneio, mas não como nos filmes que iludem a mente Humana a pensar que tudo é daquela maneira, lembra-te, histórias são criadas pela mente do Homem e o Homem sempre teve a necessidade de se refugiar na sua mente e criar o que gostaria de ver.
Sempre foi um rapaz com um número considerável de amigos e amigas e nessa mesma festa estava no andar de cima do celeiro, junto às grades de madeira com outros três amigos. Ele só fazia companhia aos amigos que mais pareciam aves derrapinas a escolherem as suas presas.
Houve alguém que despertou a sua atenção, uma garota morena de cabelos pretos e sorridente que parecia rir bastante com algumas amigas. O seu copo de sabe-se lá que substância era aquela, quase ia caindo da sua mão.

Ele sorriu para com ele mesmo, esperava que ela se virasse para ele. De facto, rezar valeu a pena, a garota virou-se e sorriu de sorriso largo e pôde ver que as amigas a arrastaram sem se darem conta. Embora pensasse que fora para os amigos, Brody e Lacen já estavam a falar entre eles. Ele pensou “Parece que é só o começo”.



Third Chapter
We Are Best Friends!
Publicado em: 19/09/2016

Since you went away
dontcha know?
I sit around
with my head hangin' down
And I wonder
Who's loving you ‒ Jackson 5 in Who's Loving You

Adam sorriu e congelou na entrada da porta. O seu coração palpitou ao olhar para Kimberly, ainda continuava sentada sem se dar conta do olhar de Stalteri, aquele silêncio de dois segundos era terrível. Desejava ter algo a dizer e tinha.
− Kimberly – Adam chamou a sua atenção – lembras-te? – Kimberly não entendeu onde Adam pretendia chegar com aquela questão incompleta – Lembras-te como nos tornamos melhores amigos?
− Nós fomos melhores amigos? – Kimberly troçou de Adam, riu fracamente. – Sim, eu lembro-me. – Adam abriu a porta, Kimberly levantou-se entendendo o seu gesto. Guiou-a pelos corredores, eram verdadeiramente confusos e terroríficos, com uma cor desbotada e frios.
− Ainda bem, porque matar-te-ia se não te lembrasses. – Adam franziu as sobrancelhas. Kimberly desatou a rir pela sua expressão. Os seus olhares cruzaram-se, um sorriso pelas gargalhadas baixou para um sorriso largo e de lábios juntos.

Adam não tinha chegado a tempo de agarrar no braço dela quando chegou lá fora. As suas mãos foram automaticamente à sua cabeça. Perguntou, inclusive, às duas pessoas sentadas num carro de bois à esquerda da grande porta do estábulo.
O “não” viera em câmara lenta, um aperto no coração. Seria possível dizer-lhe com a total certeza se algum dia a viria? Se conseguiria sequer chegar perto dela um dia?
A sua única reação foi chutar a terra, as suas mãos foram à sua cabeça. Um nico de raiva subiu e manteve-se ali, desejou tanto poder ter dois dedos de conversa, apenas ouvir a sua voz ou saber como era o seu toque.”

− Não é muito difícil lembrar como nos conhecemos ou virámos melhores amigos, sabes?! – Kimberly olhou para ele e de seguida para as suas mãos. – Vou-me sempre lembrar como meteste assunto. Ah, só uma coisa, tu parecias completamente desesperado. – Kimberly socou o braço de Adam com notória força ausente.

Dia vinte de julho, um dia quente e enfadonho. Era a primeira vez que mudava de escola por causa da mudança de casa. Kimberly não era filha de um casal ou somente de pai ou mãe que viviam em constante mudança.
Tinha ido à festa de fim de ano num celeiro longe, bastante longe, da cidade e das redondezas. Quanto tempo ficou? Um quarto de hora? Aquele ambiente entre alunos de caras conhecidas não era para ela, a sua presença tresandava a novata. A sua prima, Lyane Piovani, convenceu-a a pôr lá os pés, já não era mau de todo.
Lyane mostrava-lhe parte da cidade que desconhecia, o bairro onde, agora, iria viver, estudar, crescer ainda mais e tentar talvez lavar as feridas da inexistente autoestima, fazer pelo menos quatro amigos e não ter que dizer “não” para todos os interesseiros em copiar.
− Despacha-te, Kim! – Lyane olhou para as horas, Kimberly fê-las voltar atrás para buscar o seu aparelho eletrónico, como lhe gostava de chamar. – Kim! Vamos! – Lyane gritou para dentro de casa, Kimberly não tardou a aparecer.
− Está bem! Calma, sim? – Kimberly enfiou a chave apressadamente no bolso do casaco. – A minha mãe quase o colocou na máquina de lavar e levei um raspanete, não preciso de outro. – Lyane rolou os olhos – Já agora, tenho um bolso descosido, espera, a minha mãe já o deve ter cosido.
− Vamos, porra! Ninguém quer saber disso! Nova Iorque, a parte que não conheces, está à tua espera, querida! – Lyane abriu os braços e gargalhou. – Okay, nem tanto assim. – Kimberly riu alto e apalpou o seu bolso e certificou-se de ter a chave antes de começarem a andar.


Eram já cinco minutos de caminhada e pareciam horas. Kimberly parou, colocou as mãos nos bolsos de trás das calças e Lyane explicou que ali era um “bar” para jovens entre os doze e vinte e um anos, sem qualquer tipo de álcool nas bebidas.
Acho que alguém perdeu uma chave. – Uma voz totalmente desconhecida atrás delas. – Olá? – Kimberly olhou para Lyane e apalpou os bolsos e teve um mini ataque-cardíaco.
− Puta merda. – Kimberly desabafou, rodou os calcanhares e a sua cara chocou com a de um garoto. – Oh, obrigada…
− Adam! És a nova aluna da escola, certo? – Adam enterrou as mãos nos bolsos de trás, olhou o nada e espero que aquela garota lhe respondesse, que não o ignorasse.
− A prepósito, eu sou a Kimberly, mas todos me tratam por Kim. E sim, sou… − Kimberly riu – Vens connosco? – Olhou para Lyane. Esta retribuiu o sorriso, um sorriso parvo – O que é?
− Porque não? Vão àquele bar? – Adam deu um passo em frente. Lyane riu para Kimberly, mas de forma diferente, como se quisesse dizer-lhe algo. Kimberly rolou os olhos e avançou os passos, ficando lado a lado com Adam. – Vais ver que vais gostar de viver neste lado e estudar aqui.”

− Eu não estava desesperado! – Adam abriu a porta e segurou, de modo a que Kimberly pudesse passar primeiro. – Sabes bem disso. Queres tomar alguma coisa, um café talvez?
− Claro que não estavas! – Kimberly ironizou – Sim, agradeceria depois de toda esta confusão e espera. Mal acredito que podia ter ido presa, se o meu pai sonha com isto… − A sua cara transmitia cansaço e preocupação.
− Vai correr bem, quando lhe contares, ele vai perceber. Eu conheço o Sr. Lively, mas se mesmo assim ele não gostar, chama-me, porque ele adora-me! – Adam riu da sua piada, que na verdade nem era uma piada. – Vá lá!
− Eu sei, é verdade! Mas ele já se dava bem contigo mesmo antes de saber que eras o meu melhor amigo. – Kimberly e Adam chegaram finalmente ao bar. Era, de facto, um bar bem espaçoso e bem mais aconchegante que o resto do edifício.
− Dois cafés, por favor. – Adam puxou uma das cadeiras para Kimberly que se encontrava anexada ao balcão. – Como vai o teu pai? – Adam olhou-a sério, sem brincadeiras. Ela sabia ao que se referia.
− Bem… Quer dizer, desde que ele herdou aquele maldito jornal, encontramos bastantes pessoas cruéis. Não compreendo, não compreendo porque é que aquele blogueiro coscuvilheiro quer infernizar a nossa vida se ele foi despedido antes da herdança do jornal.
− Sabes muito bem que ao hackeá-lo só ias dar mais pano para mangas, certo? – Os seus punhos suportavam a sua cabeça. Kimberly sentiu-se abraçada e tocada pelo seu olhar, a sua pergunta tinha mexido com ela. Ela sabia, mas não se lembrou que ia dar. – Não te lembras-te, pois não? – Ele riu-se. – Vê-se mesmo que amas as pessoas ao teu redor.
− O meu pai tinha razão – Adam abraçou-a de lado, o som dos pires a bater na mesa não os perturbou. – em relação a ti, darias um ótimo genro. – As suas palavras saíram disparadas e impensadas. Pegou na chávena e bebeu, sabia que Adam a olhava com cara de caso.
Sem grande notoriedade, Lucille e Kennedy tomavam o seu pequeno-almoço no mesmo lugar à mesma hora. O olhar observador de Lucille detetou Kimberly e Adam sentados lado a lado.
− Eles ainda me vão trazer problemas. – Lucille abanou a cabeça em sinal de impaciência. Agitou o café enquanto rolou os olhos.
− Eles já estão a dar problemas desde que ela entrou aqui. – Kennedy agitou o café e riu. Era a primeira vez em tanto tempo que voltava a ver a paciência e o amor genuíno com alguém.
Era engraçado ver o quão espontâneo Adam era com Kimberly, o seu mau-humor desaparecia, a sua atenção existia para ela. Não havia amizade apenas, havia mais, sempre houve. Não é possível dizer de outro modo, a sua saudade por ela, a saudade que ela despertou nele nestes últimos anos.
Enquanto ela o olhava da mesma maneira, a maneira da qual todos gostávamos de ser olhados e admirados. Todas as borboletas no seu estômago continuavam lá. Fora com ela que Adam aprendeu a rir das coisas, a rir sem ter ninguém por perto.





Fourth Chapter
I Want To Kiss You!
Publicado em: 24/04/2017

'Cause you give me something
That makes me scared, alright
This could be nothing
But I'm willing to give it a try
Please give me something
'Cause someday I might know my heart
− James Morrison in You Give Me Something

Passaram quatros meses, não tão longos como antes, não só para Adam. Lucille conseguiu “salvar” Kimberly de alguns anos na prisão, tendo pela frente apenas dois anos e meio de trabalho em colaboração com a polícia. Kimberly tinha muito a agradecer-lhe, sabia perfeitamente que à partida Adam lhe teria suplicado mundos e fundos.
Kimberly foi pressionada a telefonar à sua família por Adam. Ela segurava a mão dele enquanto o telemóvel/celular chamava, a sua mão tremia com o telefone em alta voz. O seu pai atendeu e a sua voz estava debilitada. Sempre foi assim, Adam não se lembrava de uma única vez em que o pai de Kimberly não estivesse doente. O pai de Kimberly chorou muito do outro lado, as suas palavras eram indecifráveis, mas a felicidade por saber que Kimberly estava bem era extremamente evidente.
Kimberly não se prenunciou, nunca, sobre onde dormia. Adam ofereceu a sua casa vezes sem conta, mas a cabeça teimosa dela não aceitou. Preocupava-se como sempre fez, da mesma maneira e quantidade.
A presença de Kimberly melhorou tudo, a polícia tinha uma maior e melhor atividade, agora. Apesar de nunca ter estado em campo, ainda, a sua ajuda era autêntica e quase física. Os casos que ela tinha investigado, todos aqueles documentos, fotos e áudios chocantes e carregados de sangue-frio e de vingança no seu estado mais puro. A sua mente não aguentava aquele oito-oitenta.
Adam acalmava-a sempre depois de cada reunião com a equipa, prensando-a levemente contra o seu peito e acariciando os seus cabelos negros causando-lhe sensações de nostalgia e costas até a sua respiração acalmar. O seu olhar era distante e cambaleava.
           
            Friday, 10:38 p.m. Arizona Police, Arizona
O clima era de grande festejo, depois de horas e horas de trabalho exaustivo, tanto em campo como fora dele, o caso tinha sido bem-sucedido. Alguém culpado estava agora no lugar certo, embora nenhum pertencente à equipa fosse apto para trazer as vítimas à vida.
− Bom trabalho! ¡Buen trabajo! Good job! Bon travail! Buon lavoro! – Kimberly riu e pronunciou “Bom trabalho!” em cinco línguas diferentes. Era impossível não ver o seu cansaço através de uma simples ligação via Skype e também pelas suas olheiras e cabelo mal prendido e um pouco desgrenhado.
Lucille juntou-se a Kimberly e ambas felicitaram a equipa que tinha entrado em campo. A equipa triplicou os elogios a Kimberly, embora ela negasse com a cabeça e as suas maçãs do rosto corassem e todos se rissem da sua vergonha. Kimberly nunca praticou o bem em troca de algo, aspeto que até a penalizava.
A gargalhada mais natural veio de Adam, toda a equipa notou a troca de olhares entre os dois. A maneira como todos desejavam ser olhados, ser olhados com tanto amor, compreensão e admiração que até a sua alma descansaria sempre que estivesse a ser olhada de tal forma.
Lucille e o resto da equipa sentiram-se na pele da famosa “vela”. Alguém tossiu, no jato que se aproximava de descolar, lembrando-os que não estavam a sós.
− Vamos comemorar. Certo, pessoas? – Kennedy deu uma cotovelada a Adam fazendo-o acordar do transe provocado por Kimberly – Certo?! – Kennedy fez-se sentir no jato, mais ninguém tinha coragem de despertar Adam dos seus raros transes, raros até que Kimberly reapareceu. Já todos tinham notado a melhora no seu humor.
− Ótima ideia, Somerhalder! – Lucille guinchou e abanou Kimberly. – Algum lugar em mente? – Lucille colaborou com Kennedy, mas nem a sua cotovelada nem o abraço que abanaram Kimberly eram suficientes.
− Por que não o bar novo? – Kimberly encarou Lucille atrás de si. Lucille parecia extremamente feliz naquele dia, Kimberly estaria à espera de um “não” logo como resposta à pergunta de Kennedy, e agora tinha a felicidade à flor da pele, mesmo sabendo que era um lugar onde havia álcool como certeza?
− Claro! Hoje o dia de álcool está oficialmente legalizado! – Lucille girou os calcanhares e puxou uma cadeira. Tinha planos de conversar com eles até o jato pousar. – Bom, mudando de assunto. Como vai esse lado do país?
Montreal. Montreal refrescava-lhes muitas memórias. A primeira discussão deles, dois anos antes de se separem em vidas e escolhas diferentes.

“ Os alunos do 11º ano iriam acampar em Montreal, num verdadeiro lugar destinado ao acampamento, ao verdadeiro acampamento. Num país diferente e nalgo decente, sem que houvessem depois queixas em algum tipo de reunião de pais por más condições
Adam e Kimberly estavam de “trombas” há alguns dias. Todos na turma e outros amigos, até mesmo professores, tinham notado o mau clima entre os dois. Como começou? Duas cabeças duras que faziam apostas e depois teimavam em quem tinha razão.
Era a primeira discussão e zanga, mas algo dizia a Kimberly que não ficaria por ali. Ela tentou a todo o custo ignorar os seus pressentimentos, porém na maioria das vezes eram certos e assustadoramente certos e reais. Herdou aquela capacidade da sua avó, de quem mal se lembra. Toda a sua vida conviveu com esta capacidade um tanto pouco adormecida, que a assustava desde pequena, com a qual não se conformava aos doze. Sempre acabou por se habituar com os seus sustos que a pouco a pouco foram diminuindo.
Até aos catorze experimentar ver alguém, não apenas pressentir as coisas que poderiam vir a acontecer, ver alguém que não conhecia, ficou completamente aterrorizada e traumatizada. Nunca tinha revelado a ninguém que aquela capacidade habitava em si, até ganhar coragem e abordar Adam e Lyane.
Kimberly e Adam tinham-se ignorado durante toda a manhã, desde a sua chegada às cinco da manhã até ao almoço ao meio dia. Almoçaram todos juntos e bem aconchegados entre aquela chuva e frio, a cara de maio canadense, mesmo sendo plena primavera.
Pararam de se ignorar depois do almoço, com muito esforço. Não conseguiam ficar mais de costas voltadas, a conversa entre eles tinha começado de uma forma extraordinariamente natural e fluente. Notava-se à distância que aquilo se tratava de algo estúpido e infantil.
Naquele dia, precisamente ao final da tarde, os alunos foram autorizados a ficarem nas ditas cujas “cabanas” e a passarem algum tempo entre amigos sem grandes rebaldaria e com juízo.
A curiosidade sobre o que cada um faria depois de sair do liceu foi o foco, e o foco certamente errado! Kimberly preferia ter ficado na ignorância e Adam preferia que as coisas não fossem daquela maneira.
Queriam seguir caminhos e traçar vidas diferentes. Kimberly pretendia ficar em New York e fazer um curso de letras, ficar perto daqueles que amava e tentar a sorte e trabalhar para que pudesse um dia escrever num editorial de uma revista ou até mesmo, quem sabe, ter um livro escrito por ela mesma como Best-Seller. Adam não. Adam não via assim as coisas. Adam desejava embarcar, uma vez mais, para fora do estado, talvez para Nevada ou Arizona e conseguir fazer um curso de Criminologia e ser empregue imediatamente, ser bem-sucedido quer fosse longe ou perto da família.
A conversa ficou pendente depois de ambos tirarem as suas conclusões um sobre o outro. Ambos conseguiram concluir uma coisa certa: as suas vidas não se iriam cruzar…
Kimberly ficou estática depois da sua conclusão. Ela sempre exprimiu mais os seus sentimentos, por menores que fossem, Adam não. Adam sentia com muita intensidade e nunca exprimia os seus sentimentos num décimo da sua intensidade real. Daquela vez foi diferente, envolvia Kimberly. Adam ficou estarrecido e desamparado.
A conversa e tudo mais o que os envolvia ficou pendente. Kimberly saiu do quarto dele com alguma desculpa sobre ter de voltar ao seu quarto e deixou Adam sozinho com as dúvidas e anseios sobre o futuro deles.
Durante toda a semana que permaneceram em Montreal, as conversas iam e vinham, sem graça e sem grande naturalidade. O clima tinha ficado imensamente pesado e tenso.”
           
A equipa teve um voo de quase cinco horas, de Montreal para Arizona. A equipa estava quase estagnada ao fim de três horas e meia. Lucille e Kimberly não desligaram a chamada via Skype, a equipa tinha teimado vezes sem conta para elas irem descansar um pouco.
Lucille e Kimberly já massajavam as têmporas do rosto em busca de alguma energia, elas negaram-se a descansar. No fundo tinham razão, descasar como e onde? Nos bancos distribuídos pelo edifício? Nas camas das celas com cheiro a suor de mais de cem pessoas diferentes?
Lucille acabou por adormecer ao fundo do cubículo de Kimberly, a única que trabalhava para eles com a finalidade de trabalho comunitário, num banco pequeno e que só de olhar já transmitia o desconforto que o sofá oferecia. Kimberly deitou as costas da cadeira para trás para que pudesse descansar.
A equipa não tardou a chegar, uma hora e meia depois de elas adormecerem.
Estavam todos exageradamente cansados, mas felizes e ainda com energia para aproveitarem, beberem um pouco e festejar, não por muito tempo. Uma ou duas horas seria o suficiente para conviverem depois de quatro dias longe de Lucille e Kimberly, especialmente de Kimberly.
Demoraram trinta minutos a pousarem em casa as poucas malas que levaram com eles. Tinham sido caóticos aqueles dias numa pensão qualquer em Montreal, não tiveram grandes oportunidades para escolher um hotel de luxo.
Quando chegaram ao edifício, tiveram pena de acordar Lucille e Kimberly, dormiam tranquilamente mesmo em lugares pouco desconfortáveis. Não foi necessário grande esforço para as acordar, assim que Adam e Kennedy bateram com os pés um pouco mais forte, acordaram calmamente.
Lucille acordou disposta a matar tudo e todos enquanto Kimberly estava quieta sem saber o norte das coisas, parecia estar drogada. Sentou-se direita na sua cadeira, olhou à sua volta e para Adam e depois para Kennedy. Sorriu e riu ao ver os dois.
Levantou-se com dificuldade enquanto Lucille continuava a resmungar até Kennedy lhe falar nas maravilhosas bebidas alcoólicas. Kimberly trocou o seu casaco, que ficava no cubículo tipo casaco de trabalho, e os seus sapatos por uns mais confortáveis e elegantes.

Saturday, 04:41 a.m. Cooper’s Bar, Arizona
Toda a equipa foi para o tal bar, Cooper’s Bar, festejar e aproveitar algum tempo junto um dos outros. Era difícil festejarem alguma coisa sem envolver correrias e tropeços
Lucille seguia na frente do grupo com Camila e Ben, que eram cunhados e confidentes de Lucille. Kimberly, Adam e Kennedy seguiam atrás com muitos risos e piadas, Adam sentiu um fio de ciúmes por Kimberly e Kennedy. Luke ia atrás de todos, com as mãos enterradas nos bolsos do seu casaco de ganga, olhava em todas a direções com uma expressão fechada e agressiva.
Foram a pé, a caminhada e a brisa dela fê-los despertar. Enquanto lá fora estava fresco, no bar estava quente e tudo piorava graças ao calor Humano que havia em dobro. Adam mal pôs os pés dentro do bar, detestou. Detestou a ideia de tanto contacto humano que ali se podia gerar.
− Vocês estão a gozar/zoar, não? – Adam detestou com todas as suas forças o tanto de contacto físico que ali se podia dar. – Podemos ir para minha casa se quiserem, abrimos uma grade de cervejas ou uma garrafa de vinho do Porto. – Adam tentou dissuadir os colegas.
− Deixa de se desmancha-prazeres por uma hora, sim? – Kimberly pegou-lhe na mão, colapso de arrepios, tentou arrastar o corpo pesado e musculado de Adam. Kimberly desmanchou-se em risos e olhou para ele contagiando-o.
− Está bem, eu fico. – Adam obviamente que cederia a Kimberly. A Kimberly ceder-lhe-ia tudo, até mesmo a vida.
Adam tinha ficado parado perto da porta no mesmo tempo que os outros reservavam lugares numa mesa redonda que refletia as luzes do bar. O bar chegava a ser acolhedor, com discos de vinil numa parede xadrez oposta ao balcão, com quadros de Elvis Presley, Marilyn Monroe e outros e um balcão no estilo anos cinquenta.
Ao longo da noite, Lucille e Adam abusaram da bebida, principalmente Adam. Kennedy ficou num meio-termo, parou de pedir bebidas ao balcão quando sentiu o seu equilíbrio a abandonar o seu corpo. Kimberly repetiu a mesma bebida por duas ou três vezes, porque sabia como ficaria caso exagerasse. Camila e Ben beberam das bebidas mais fracas duas vezes.
Lucille e Adam partilharam exatamente uma garrafa de Vodka, sentiram os olhos opressores de Kennedy e prosseguiram, e uma dose de Absinto, cada um. Kennedy bebeu alguns copos de whisky até se aperceber do seu equilíbrio, melhor, a falta dele. Camila e Ben beberam um pouco de licor de nata e Kimberly bebeu duas garrafas de Sagres Radler com sabor de pêra de Alcobaça.
Foi um espetáculo bonito de se ver. Lucille e Adam riram a noite fora, fizeram muitas palhaçadas e contaram as piadas mais secas do conhecimento de todos. Kennedy estava sentado no canto, quieto e quase a dormir acordado. Camila e Ben observaram o espetáculo juntamento com Kimberly, a única diferença entre aqueles cunhados e Kimberly era que eles fizeram questão de os fotografar e filmar. O estado deles era lindo, gostaram de ser fotografados e filmados.
           
Saturday, 06:37 a.m. Cooper’s Bar, Arizona
− Não acham que já chega de festejar? – Ben olhou para as horas no seu relógio de pulso.
− Há muito tempo. – Camila mordiscava uma das palhinhas que Adam e Lucille tinham trazido do outro lado do bar. – Vamos levá-los como? – Camila encarou Ben.
− Pomos-lhes umas fraldas e levámo-los ao colo. – Kimberly sugeriu fazendo Camila e Ben rirem-se.
Kimberly, Camila e Ben pegaram nas suas coisas e levantaram-se. Os seus olhares atentos vaguearam pelo local à procura de Adam e Lucille. Não podiam estar muito longe.
− À nossa procura? – Adam sentou-se na cadeira. – Já estamos aqui. – Adam riu entre as palavras.
− Vão nos levar para uma cela? – Lucille fez cara de inocente. Cada vez que abriam a boca, mais uma asneira dita.
− Não minha linda, embora às vezes mo apetecesse fazer tal coisa. Mal posso esperar que lhes passe a ressaca para lhes mostrar as fotografias e vídeos. – Camila esfregou as mãos e gargalhou.
− Só aceito ir embora se for contigo! – Adam agarrou-se à cintura de Kimberly o que a fez corar e rir. – Só contigo!
Camila acordou Kennedy que dormia no canto enterrado no assento com o capuz a cobrir-lhe a cara, descalçou os saltos de Lucille e ajudou Ben a carregá-la.
Kimberly não teve muitas hipóteses. Adam insistiu, insistiu e insistiu para que fosse Kimberly a acompanhá-lo a casa. Era engraçado vê-lo daquela maneira tão descontraída e desinibida.

            Saturday, 06:44 a.m. Street, Arizona
O corpo de Adam tornava-se extremamente pesado para Kimberly o carregar. Adam tinha um dos seus braços à volta dos seus ombros para que não se desequilibrasse tanto.
Kimberly desejou ter o seu carro consigo, no Arizona, queria encolher-se na sua cama macia e acolhedora. Ao invés disso, estava em plena rua a caminho do apartamento de Adam, bêbedo, e sob ameaça de chuva. Fantástico!
− Posso olhar para ti, um bocado? Por favor? – Adam sussurrou num tom em que Kimberly pudesse ouvir perfeitamente. – Por favor?
Adam sabia que tinha culpa. Sabia também que Kimberly também tinha culpa. Ambos partilhavam a culpa de se terem separado em vidas, caminhos e escolhas diferente, mas que acabaram por os unir. Porém, Adam tinha mais culpa.
Sabia que tinha mais culpa, porque foi covarde. Covarde suficiente para nunca ter admitido que era apaixonado por Kimberly desde o primeiro sorriso. Tentou-se negar por algum tempo, até aos seus dezassete anos. Aos dezassete anos tinha a certeza que tinha uma paixão por Kimberly. Uma paixão que ia desde o seu estado mais calmo até ao seu estado mais psicótico de T.P.M.
Nunca conseguiu encontrar os aclamados vinte segundos de coragem e dizer tudo a Kimberly, nem nunca a ter beijado. Tinha medo de mostrar os seus sentimentos e de que Kimberly não compartilhasse do mesmo. Era uma tortura psicológica.
Agora, ah agora, agora seria diferente. Adam realmente não queria saber do risco que corria, de a perder. Era agora ou nada.
− O que foi? Quero ir para…− Começou a chover naquele instante, Kimberly previra aquilo. − …casa.
− Eu também, mas antes. Deixa-me fazer uma coisa.− Kimberly não percebeu qual era o rumo ou o objectivo daquela conversa, provavelmente de bêbedo.
Adam estava a ficar encharcado tal como Kimberly. Adam tirou o seu braço dos ombros de Kimberly. A pressão fê-la respirar melhor enquanto Adam tentava focar a sua visão em alguma parte do alcatrão da estrada para encontrar o equilíbrio.
Kimberly riu, riu por não saber ao que Adam pretendia chegar e, também, pelo seu estado, ao mesmo tempo que sentiu pena. Adam estava alegre, risonho e com humor digno da idade dele.
A chuva tinha ficado mais forte mas o vento estava fraco, ainda bem! Adam cambaleou para mais perto dela, ao ponto de sentir o seu calor e os batimentos cardíacos irregulares. Era o efeito dele? Ou da chuva gelada?
− Adam… − Kimberly pareceu adverte-lo. Foi e seria em vão, Adam estava mais decidido como nunca, mais decidido como nunca tinha sido.
As mãos dele estavam na cara dela, fria e molhada, enquanto as mãos dela tomavam movimentos involuntários e incertos, não sabia onde e se lhe devia pousar as mãos no corpo molhado, porém quente.
Adam avançou devagar na direção dos seus lábios, não queria assustá-la, dando-lhe tempo para se certificar do que estava prestes a acontecer, que poderia ser realmente desastroso ou não.
Adam já não aguentava mais, tinha esperado uns bons e longos sete anos. No decorrer daqueles sete anos, tinha namorado nada mais nada menos que duas raparigas, relacionamentos que duraram menos de um mês e meio. Não sabia se era a sua consciência a pesar-lhe para confessar o que sentia a Kimberly ou se era mesmo real, cada vez que as beijava ou que falava no nome delas, era como se sentisse o olhar pesado e desiludido de Kimberly queimar-lhe a nunca, ou melhor, o coração.
Kimberly gostaria de ter opiniões e ações sempre prontas e bem estruturadas, mas nunca as tinha. Gostaria de interromper aquele momento, mas sabia que seria um erro, tinha esperado por aquilo por… oito anos?! Ele era e é o seu crush de adolescência que levaria para a vida toda. Foram tantas as vezes que pensou num futuro distante, com filhos e casada, a viver a dor de ver Adam e os filhos dele com outra mulher ao lado dele, a partilhar cama e beijos. Mas tinha a certeza que acabaria divorciada com filhos dependentes ainda dele, com um ex-marido do qual se divorciara por motivos de ausência, maus tratos psicológicos e de alcoolismo e que Adam se envolve-se com ela traindo assim a sua esposa, levando ao quase divórcio que era salvo pelo afastamento de Kimberly.
Kimberly avançou na direção dos lábios de Adam. Beijou-o. Beijou-a. Beijaram-se. Adam queria morrer por ter quebrado o desejo já antigo, Kimberly queria espernear e talvez empurrar o seu peito em vão, mas de que adiantaria? Ela já tinha correspondido e ele também. Podia jurar que sorriu entre o beijo.
− Desculpa… − Adam falou com voz embargada. A chuva caia torrencialmente, digna de uma cena de filme. – Eu… −Kimberly interrompeu-o com um beijo curto, juntou a sua testa à dele e sorriu.
− Não sabes há quanto tempo estava à espera disto… − Kimberly sorriu contagiando Adam. O corpo de Kimberly abraçou o corpo de Adam enquanto a chuva escorria corpo abaixo sem os incomodar muito.

Continue…

2 comentários:

  1. QUANDO A BICHA NASCE PRA LACRAR, ELA LACRA!
    MANO, JÁ COMEÇOU MARAVILHOSA ESSA FANFIC, MEU AMOR, É ISSO QUE ELA VIROU ♥♥♥
    Cara, você se inspirou nos personagens principais de "E Se Eu Sentasse Na Cadeira Ao Seu Lado?", e nos casal do clipe de If Were A Boy?
    Ficou demais! Já amei, continua pra hojeeee!
    Beijos ♥

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    1. LARA!!!!!! SAUDADE DOS SEUS COMENTÁRIOS ÀS FICS!!! Obrigada!!
      Aahahha exageeeeeeeeero, mas obrigada, espero que essa fic lhe agrade pois tem bastaaaaante coisa pelo meio </3 Será que eles ficam juntos ou é mais um final trágico à la Shakespeare?!
      Okay, eu preciso urgentemente fazer esse post logo, mas vou já adiantar as coisas. Quando a fic "E Se Eu Sentasse Na Cadeira Ao Seu Lado?" não estava com uma história definida eu pensei em variadíssima coisas possíveis, fui anotando e quando achei algo que realmente encaixasse, as outras notas simplesmente ficaram de lado e pensei em transformar em outras fic's. O nome continua o mesmo, o dos protagonistas, porque eu adoro os nomes Adam e Kimberly ♥
      Agora que fala, o casal de If Were a Boy é muito parecido com o casal da fic, obrigada pela observação, pois é uma excelente dica para inspiração de sentimentos!
      Obrigada, linda. Aguarde, pois logo, logo tem mais ♥
      Beijos ♥♥

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